10/24/2006

Genial!

Cliquem aqui para ver a manifestação religiosa mais humilde de Jesus! O cara é show de bola!!

Thanx Tiago por me mandar essa pérola!

10/13/2006

...



Diversas espécies cultivam hábitos reprodutivos curiosos. Algumas constróem a casa para o parceiro, outras mudam radicalmente a morfologia corporal na época do acasalamento para disputar o sexo oposto. Mas só mesmo uma espécie tão torta quanto a nossa para presentear as suas fêmeas com órgãos genitais de outros seres vivos. E para ter fêmeas que gostam de ser presenteadas com isso. ;-P

10/02/2006

segundo turno


Peguei do Kenji que pegou do slashdot. Escreveram por nós dois ;-)

People do mind about honesty, but they're rather vote for someone who "steals, but does" like Maluf than a seemingly good-intended less-known politician. And people can't remember stuff for much longer than a goldfish. I live in Brasília and I'm completely ashamed to know that people here elected someone like Arruda as a Governor. He violated the secrecy of the electronic voting panel, a few years ago, and lied about not being responsible for it. When undeniable evidence was found later, he admitted having done it. He was likely to be prosecuted (and bound to be punished), but resigned and charges against hill were dropped. Ex-president Fernando Collor de Mello was elected senator for Alagoas. Paulo Maluf was elected congressman for São Paulo.

The Carta Capital weekly magazine made some researches about scandals in the last three governments: Lula's, Collor's and Fernando Henrique Cardoso's. Unlike most people seem to believe now, the scandals in the other two governments involved much bigger sums of money. The difference is that Fernando Henrique's was much quicker to react and cover the scandals up, and we all know how Collor ended up. Let us not forget that Marcos Valério worked for FHC people too, that the ambulances scandal began while José Serra (elected Governor of São Paulo) was Minister of Health for FHC, and that Roberto Jefferson, who started the first big scandal of Lula's government, was the biggest defender of Collor's misdoings.

This is a very dark time for Brazil. I'm not happy with Lula's government, but I voted for him since I can't trust Alckmin (he has a very Maluf-like way of doing politics), neither Heloísa Helena (she seemed to be angry all the time, could never give a good answer when asked HOW she intended to do the things she promised, and surprisingly has some conservative support), neither Cristovam (I know him, he was principal of University of Brasília and Governor here for four years) would make a better government. It's so difficult to advance that we have to make it by small steps. I believe Lula's government is one of those small steps. Probably you think otherwise, but I respect your opinion. Let us hope that the next government be better than the last ones.

Cheers!


Para chegar no texto original clica aqui

9/25/2006

Milan Kundera em um abraço


Clarissa me abraçou forte e rapidamente, mas esse momento continuou bem depois de sua despedida. Seu gesto foi acompanhado de uma risada suave e, devido à proximidade da sua boca e de minha orelha, um pouco alta. Nada que tenha me incomodado, sua voz era aguda mas não causou desconforto, pelo contrário. Me lembrou uma soprano aprendendo a cantar, quando há potência sem controle das notas, somente a emoção da tentativa e do erro sem a massificação dos robôs cantadores que estufam seus tórax e emitem notas e notas sem errar. Depois ela se despediu acenando de leve com a mão, atirando o nada contra ele mesmo, movendo o ar de maneira quase visível. Enquanto eu comecei a pensar em seus dois gestos ela se foi e eu nem mesmo percebi. Ambos me causaram um sentimento, e a primeira palavra que surgiu em minha mente para explicá-lo foi "estranheza".

Depois da sua ausência senti minha pele ainda um pouco aquecida do contato passageiro, o que me causou novamente o mesmo sentimento. Esta palavra, "estranheza", transmite-me uma idéia na língua portuguesa que é quase contrária ao que eu senti. Minha estranheza foi parecida com o "extraño" da língua espanhola, que pode ser traduzida livremente como saudade. As duas palavras possuem a mesma raíz e, entretanto, o uso de "estranheza" ou "estranho" possui um certo desconforto de sentido na língua portuguesa, gerando uma conotação negativa. Esse desconforto, que inicialmente pode parecer longe da idéia de um casal apaixonado hipotético que declara sua saudade recíproca com "extraño" são na verdade a mesma coisa. Estranho é algo diferente, não-cotidiano, mas não necessariamente ruim. Estranho é algo não-usual, mas não gostamos de mudanças na vida. Qualquer estranhamento causa desconforto, incômodo por sentirmos algo diferente de nossa rotina. o "extraño" espanhol quer dizer estranhar a distância. Saudade é estranhar a distância. Estranhei Clarissa.

9/13/2006

Cerveja

Dois dos melhores comerciais de cerva que eu já vi. Fiquei com vontade de beber e larguei tudo, passe aqui amanhã...

Primeiro

Segundo

8/23/2006

Quem pode, pode...


Ha uns bons tres anos um aluno de doutorado amigo meu me disse o seguinte: "nao importa o tanto que voce sabe, e sim o tanto que os outros acham que voce sabe". Ouvi uma frase nova que eu achei melhor ainda do que essa. Vamos aos fatos.

Toda semana rola uma reuniao no meu laboratorio, onde alguns alunos expoem seus resultados para criticas e sugestoes de outras pessoas. Na semana passada um dos alunos apresentou alguns resultados , que sao basicamente o seguinte:

1) injetar o 50 bichos "A" em um camundongo -> nada acontece.
2) injetar o 50 bichos "B" em um camundongo -> nada acontece.
3) injetar 25 bichos "A" + 25 bichos "B" em um camundongo -> morrem todos os camundongos.

Dai surge o interesse obvio: porque os dois bichos juntos matam mas separados nao? O que causa esse fenomeno?

Minha primeira sugestao foi fazer um experimento muito parecido com um dos que levaram a descoberta de que o DNA eh o material genetico. Basicamente, injete um dos bichos mortos e o outro vivo e depois troque os grupos de quem vive e de quem morre. Quando isso foi feito lah nos idos de 1950, com uma bacteria nao patogenica viva e uma patogenica morta, viram que alguma coisa (no caso o DNA) era capaz de transmitir a virulencia da linhagem morta para a viva, o que transformava a bacteria nao virulenta em virulenta. Daih para descobrirem que esse "fator" de virulencia era o DNA foi um pulo.

So que ninguem deu muita bola pro meu experimento nao, falaram que era muito dificil e que poderia nao responder nada. Nao responder nada eh normal, 90% dos experimentos em biologia dao resultados de interpretacao dubia, jah que o tempo todo a gente tenta falsear nossa hipotese de trabalho para que ela seja tida como nao-verdadeira. A gente nunca proca que uma coisa eh verdadeira, e sim que ela, por enquanto, nao eh falsa. Nao tem jeito de saber se nos estamos na "Verdade ultima". Ateh porque a gente nem sabe se ela existe. Karl Popper basico.

O lance que me deixou muito, mas muito puto foi que na semana seguinte o "foda" do Sergio Pena (o coordenador do laboratorio) deu a mesmissima ideia, sem tirar nem por, e foi idolatrado no laboratorio como um genio, capaz de lembrar de todos os experimentos classicos do passado, etc e tal. A culpa nem foi dele, que nem tinha ouvido a minha primeira ideia, porque nao tinha ido na reuniao anterior. Ainda bem que o aluno que apresentou os dados lembrou que eu jah tinha falado e contou prah todo mundo que a ideia tinha sido minha. Daih o tio Sergio ri e fala: "Francisco, nao importa quem teve a ideia, e sim quem falou a ideia". Nada mais certo. Ciencia, como toda criacao humana, possui pessoas vaidosas. ALias, no caso da ciencia, acho que o ego eh ainda maior, jah que o cientista eh (ou acha que eh) inteligente prah caralho e ai de quem falar o contrario. Foda, mas eh verdade.

8/18/2006

edukators



Bom, agradei demais desse filme. Dá até uma lufada de ar fresco na vida ver que tem gente (tá bom, de mentirinha mas tem) que pensa mais ou menos como eu. Além de vocês, parcos leitores, é claro. ;-P



6/20/2006

Será que ia ser assim?


Tristeza não tem fim
Felicidade sim
Tom Jobim






Acordou sobressaltado, mais uma vez com medo de que o tivessem roubado. Desde que o descobrira, não conseguia ter mais nenhum momento verdadeiro de paz. Se trancara, isolado de todas as pessoas, especialmente as mais íntimas, aquelas que antigamente entravam e saíam de sua casa com a emoção sincera que caracteriza os amigos mas que, paradoxalmente, tinham mais chance de rouba-lo. É verdade, desde que descobrira o segredo da felicidade e decidiu não dividí-lo com ninguém, não vivia mais...

6/06/2006

Começando bem o seu dia



Tem dia que é difícil não ficar neurado de verdade com o ser humano. Hoje eu tava ouvindo rádio de manhã e rola a seguinte notícia:

"Hoje é dia 06/06/2006! Essa data é temida por representar o número 666, que é denominado o número da besta na bíblia. Nesse contexto, várias pessoas têm medo dessa data. Assim, para acabarmos com o misticismo que envolve esse dia, resolvemos consultar a *numeróloga* fulaninha de tal...". Aí é osso.

5/23/2006

Retrato de um cidadão comum



Todos nós somos egoístas. Sempre. Quando Alberto chegou a essa conclusão uma sensação de choque o percorreu duas vezes. Inicialmente ele ficou abismado com seu pensamento, com a idéia de que todas as pessoas “virtuosas” do mundo na verdade se enganavam ao pensarem que as suas atitudes eticamente corretas eram feitas para os outros e não para si próprios. Posteriormente ele chocou-se com a simplicidade e força imbatíveis desse pensamento.

Ele, que sempre tinha se achado um rapaz imensamente razoável, respeitador das leis e morais que o bendito estado nação no qual ele tinha nascido determinara como corretas (embora já houvesse concluído anteriormente que as suas obrigações e direitos com um dado estado/nação/povo sejam, obviamente, impostas, pois não se escolhe onde se nasce, até onde nos é permitido ter consciência), descobriu de repente que só fazia isso para maximizar o seu prazer. Depois de mais um simples pensamento ele concluiu que, na verdade, o que ele e todos nós tentávamos a vida inteira era minimizar as nossas tristezas, já que o sentimento dominante na vida não era a alegria e sim seu oposto. Mas estou me adiantando aos fatos que levaram nosso protagonista a essa, aparentemente, absurda conclusão. Vamos a eles.

A linha de pensamento que o levou à idéia final (lembremos, a de que todos nós somos egoístas sempre) não demorou mais de uns 5 minutos, se muito. Ao entrar em um banco para sacar o dinheiro da semana havia um mendigo na porta, como tantos outros com os quais cruzamos e decidimos ignorar ou não todos os dias. Alberto evita olhar para o olho de peixe-morto do mendigo, opaco e plúmbeo. Este tipo de olhar o incomoda desde que ele se lembra, olhar pidão, de necessidade, de quem não deseja nada da vida além do consumo da próxima dose de drogas legais vendidas em qualquer canto da cidade. Mas talvez o que mais o incomode seja o cheiro, aquele de fim de festa de carnaval de rua, mijo misturado com cerveja.

Alberto já sabia que sairia irritado do local, pois certamente ia receber a pergunta por dinheiro e ia ter que ignorar ou ceder. Decidiu-se pela segunda opção dessa vez. Pegou algumas moedas antes de sair do banco e entregou para o mendigo antes mesmo da pergunta, evitando tocar na mão escura e certamente tão fedorenta quanto o resto. O mendigo agradeceu de uma maneira um pouco mais exaltada que o normal. “Produto da fome ou do vício”, pensou.

Inicialmente ele se sentiu mais leve, pensando que pelo menos alguma pequena coisa para aliviar o sofrimento do mendigo tinha sido feita. Não, ele não era ingênuo o suficiente para pensar que estava melhorando a vida dele, sabia que o que tinha feito era somente um paleativo para embotar a mente do mendigo e garantir algumas horas de existência menos sofrida. Logo depois ele começou a pensar sobre o porquê de não ter deixado mais algumas moedas para o mendigo que já ficava para trás. "Por que não mais?", Alberto pensava. Certamente cinco mesetas não iriam fazer falta para o seu orçamento razoavelmente folgado, mas ele decidiu continuar em frente sem olhar para trás. "Por que não mais???", o pensamento continuava lá, culpando-o como tantos outros que costumavam vir à sua cabeça todos os dias e colidiam com a sua ética pessoal, aprendida ou condicionada durante o início da sua vida.

Decidiu então de supetão voltar e entregar a nota recém sacada. O mendigo olhou para ele novamente com aquela cara de pena legítima comum às pessoas que dependem de esmola para viver, sem inicialmente tê-lo reconhecido como o último ser humano que havia lhe dado uma esmola. Assim que percebeu o que acontecia o mendigo agradeceu efusivamente o almoço e a cachaça recém-ganhos de mais um dos benfeitores anônimos que ele conseguia comover vez ou outra a voltarem e dar um pouco mais de dinheiro.

Bem mais aliviado, Alberto continuou caminhando lentamente, tentando encontrar o motivo da sua bondade momentânea. O primeiro pensamento que surgiu foi piedade. “Se eu estou onde estou é por mero acaso”, pensou ele. “Desejo que ele pudesse estar onde eu estou”, continuou. “Mas... Se eu estou dando esse dinheiro para ele é porque eu não desejo vê-lo sofrer? Então por que não fazer isso sempre? Metade do meu dinheiro poderia ser dividido com os pobres, e eu ainda viveria confortavelmente.” “Não”, pensou ele. “Não faço isso por ele. Faço por mim. Não quero possuir o sentimento de culpa que fatalmente me vêm quando faço algo que não gosto. Que não gosto não. Que me ensinaram a não gostar...”.

A partir desse ponto não houve mais retorno para seu modo antigo de ver a vida. Alberto concluiu que todos os atos bondosos são, na verdade, feitos para que o sentimento de culpa que alguns de nós temos ao ver um menino de rua sujo ou um vira-lata não nos assole. Nós desejamos todo o tempo escapar da culpa imposta à coleção de retalhos que chamamos de personalidade por uma ação que vá contra o que acreditamos ser certo. Mesmo a melhor relação de amizade ou o ato religioso mais sincero são feitos somente evitar a tristeza que, como todos nós sabemos, virá se não fizermos o eticamente aceitável.